O carro-de-boi passa pela porteira.
Dentro de minha infância nos carros
puxados por bois, cujo som metálico
me acorda nesta manhã. A derradeira
canção de ninar, o sumo deste licor
que bebo lembrando Manoel de Barros
descrevendo na chuva o adeus d´ágüa
que inundou um casulo rubro no chão
batido à mão, ao lado da cama dorme
um coleóptero recém-nascido.Afaga-a
no início deste dia. Dá-me um beijo
por ser matinal o meu Amor-multidão
neste curral bucólico, neste desejo
de ser criança, com o futuro enorme
em cima deste carro-de-boi, em mim.