7/07/2016

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nas palavras repousa silêncio intrínseco, visceral, colhido no oco baldio de todo som. escolho a tua mão para amparar meus afetos. eles têm asas, voam descalços pelo chão ... se acenas perco o veio, atiro pedras no úmido do rio saudoso em meus olhos. Cadê Chico? espero pelo abraço que me torna caudaloso, voraz a espreitar a pele de um verso sem dom de rimar, livre, isento de métrica ou ritmo, cujas letras mudas em silêncio dizem: -Vão! misturem-se em outras letras, criem idiomas gestuais, amem o intenso e descansem o dito. quando vejo perco a paisagem. tenho na noite meu dia inteiro. sonho acordado contigo. me restam grafites para procurar o que ainda não disse, um rastro do que sinto sozinho. memória eu guardo com os guardanapos da última ceia de natal. tenho sede é de mim ... quando recolho minhas frases de uma redação na infância percebo que não cresci assim, feito gente que amadurece fora do galho, criei raiz e ainda floresço para virar vinho, sei que a semente que gero ganha chão em outros caules, por fim sou contínuo, contigo.