Lancei pela noite escura um dardo de luz. Reluziu...
No clarão da iris só havia aquele faixo, labareda anil
na brisa vermelha do pudor. Esteve aos olhos secos
de uma coruja, entre as estrelas do firmamento; em
cima do céu, caído e insone na noite de vários becos
iguais, à espera da claridade vinda na alma de alguém.
Meu objeto inaugura a manhã - pedra matinal na flor
d'ágüa - iniciada numa lamparina ainda acesa, em um
reflexo orbital que circunda a córnea nua e é indolor
aos olhos da aurora recente. Entre todos e nenhum,
o punho escolheu a trajetória, arremeteu-se à frente
e alcançou o dia, azul, ensolarado, lindo e reluzente.