12/26/2009

ANOITECER

o abajour ilumina a fronte exausta da razão.

há o breu ao redor, que oxida todo o olhar;

a palavra nem alcança a boca,,, emudecido

reluta pelo verbo até que se apossa então,

de um suspiro último, qual segredo sido

dito a ninguém, isento da luz a iluminar

o Mundo, nunca sabido nem lembrado.

O coração também envelhece, a alma ...

Pela claridade que se finda no futuro

baldio em mim, acaricio em meus lábios

a boca úmida da esperança, com calma

e plenitude, quando enfim, está escuro.

12/03/2009

trecho do livro

.. me antessipei ao tempo e me postei frente ao episódio da tarde, materializada por estas raízes, que escalam a superfície lisa das paredes externas, entre janelas de vidro e o lilás que é o ar, espalhado num céu ainda azulado, ao final de um beco centenário que anuncia a noite, ignorada pela luz dos lampiões, na lucidez branca que alcança meus caninos sedentos. o odor que invade minhas narinas denunciam a presa, distraída pelas palavras incompreenssíveis dos nativos, vulnerável e suculenta, pulsátil e cheia vida e fulgás. observo encostado á beira de um portão de ferro fundido, enegrecido com o uso e a oxidação diária, constante, pertencente ao lugar, feito esqueleto de árvore, fixado à construção noturna de um imortal.