3/12/2016

UM NOVO LUGAR

traga para mim este rio na sombra deste cajueiro sedento, fale do céu, escreva para mim, me iluda com nuvens ao vento, me acorde às margens de seus olhos, lacrimeje-me, me beije, tente não acordar meus vícios meu amor; e ainda me deseje ... vamos juntos até o fim do corredor, quero abrir a última vez a porta do seu coração hermético, desolar sua solidão assim, com pétalas de um sertão chuvoso, com a força do Velho Chico desbravar limites, rasgar o horizonte onde você um dia refez meu caminho. Quero sentir seu corpo acordando o meu até o fim. Preciso não saber se ainda é de manhã, e dormir ainda perdido ... Quando tudo for mal, estarei aqui, onde somos e estaremos sempre. Até se a chuva não vier do interior da sala de estar, do futuro, nos surpreender com relâmpagos cegos e trovões sussurrados entre carícias e temporais de verão, nossos olhos são as luzes no escuro. Continue andando como se fôssemos chegar, tome um trago e vamos ... estou vestido com suas cores, seu casaco sem estrelas ou brasão, tenho palavras fáceis para dizer no momento certo, verbos e ramos para uma oferenda à estrada, onde caminharemos até fincarmos chão.