11/15/2008

BRASIL: MÃE DE TODOS

Do asfalto sem nome o morro é alto e iluminado.
Quem vê a lua de perto se deslumbra com a cor.
Dançam as crianças inocentes na roda de samba,
corre o malandro entre os vários becos do Estado.
Há uma luz fosca que ampara o dia, que arromba
a noite num flerte entre a desigüaldade e o Amor.

Na pletora do invisível revela-se o anônimo sutil
de uma Nação desconhecida, trajada na milícia
que ronda o comum, que cerca toda a multidão
com flores inodoras de uma realidade fictícia
chamada Democracia. Num país chamado Brasil.
Cuja coragem é a órfã desamparada pela coação.

O morro não suporta o condomínio fechado;
o jazz é o responsável pelo funk da periferia.
Cresce bandido, político e santo, traficante
de igüarias burocráticas; ilusionista no sinal
vermelho, circense no ato normativo fadado
a ser autônomo, abstrato, sem lastro infante,
morto na pouca luminosidade da covardia.

Dois anjos negros se saciam na sede de outro.
Alheios ao carnaval e à chacina. Bebem ouro
no cálice violado do proibido, transgridem a fé.
"Tomam a boca" com o argumento de um fusil.
No morro os anjos vão para a puta que os pariu.