6/27/2009

Só abro as asas à beira do precipício,

frente à queda livre e ao desamparo.

6/16/2009

RAIZ

POR MUITO TEMPO FICA FRENTE À JANELA

SEM CALAR O VENTO OU TER NOITE CLARA.

A CHUVA EM SEU ROSTO É LÁGRIMA DELA,

QUE ESCORRE PELA BOCA E É TÃO RARA.

O SILÊNCIO COTIDIANO ENCURTA O DIA.

HÁ PÁSSAROS ESPALHADOS PELA CASA.

CAMA SIMPLES E FORTE, É QUASE CHÃO.

TEM FILHA E FOME, SE ALIMENTA E CRIA

ARMADILHAS PARA A MORTE, CRIA ASA

E LIBERTA-SE DAS PAREDES, VOA ENTÃO.

O OLHO DELE.

FOI COLHIDO DE UMA TEMPESTADE, ERGUIDO AO AR,

PELA FÚRIA DE UM GESTO EÓLICO. ENTÃO CIRCULAVA

TODA A PROPRIEDADE EM BUSCA DE UMA CALMARIA.

TRAZIDO PELA FÉ E SENTENCIADO A SOFRER, E AMAR

A DEUS ACIMA DE TUDO. POR DENTRO FEITO LARVA

QUE NOS ENTRANHA, OCO DE UMA ESPIRAL, NOS ESPIA.

6/12/2009

SEM PALAVRAS

Desta vez fui além da palavra para encontrar
significado para este silêncio que designa tudo.
Mais amplo que si mesmo, disperso pelo ar,
feito o odor doce da dúvida neste céu de veludo.

Não há pássaros noturnos neste céu isento
de lua, nem o que ilumine o semblante agora.
Permaneço quieto para entender por fora
toda a pedra que há em mim por dentro.

Sou o artesanato em praça pública, exposto
ao desejo de alguns, ao tato do verbo insensível,
que me resvala a boca e se emudece. Poço
sem eco a dar resposta ao Mundo, inaudível.

Gesticulo enfim, mimetizo por um instante
todo o vocabulário deste corpo, dou adeus ...
A palavra que escorre de meu peito, infante,
não sou eu ou aquilo a ser dito, e me emudeceu.
Eis que estou sem voz para entender a fala,
para me degustar entre fonemas, ser Eu,
diante de tudo isto que agora me cala.