Só abro as asas à beira do precipício,
frente à queda livre e ao desamparo.
POR MUITO TEMPO FICA FRENTE À JANELA
SEM CALAR O VENTO OU TER NOITE CLARA.
A CHUVA EM SEU ROSTO É LÁGRIMA DELA,
QUE ESCORRE PELA BOCA E É TÃO RARA.
O SILÊNCIO COTIDIANO ENCURTA O DIA.
HÁ PÁSSAROS ESPALHADOS PELA CASA.
CAMA SIMPLES E FORTE, É QUASE CHÃO.
TEM FILHA E FOME, SE ALIMENTA E CRIA
ARMADILHAS PARA A MORTE, CRIA ASA
E LIBERTA-SE DAS PAREDES, VOA ENTÃO.
FOI COLHIDO DE UMA TEMPESTADE, ERGUIDO AO AR,
PELA FÚRIA DE UM GESTO EÓLICO. ENTÃO CIRCULAVA
TODA A PROPRIEDADE EM BUSCA DE UMA CALMARIA.
TRAZIDO PELA FÉ E SENTENCIADO A SOFRER, E AMAR
A DEUS ACIMA DE TUDO. POR DENTRO FEITO LARVA
QUE NOS ENTRANHA, OCO DE UMA ESPIRAL, NOS ESPIA.