Desta vez fui além da palavra para encontrar
significado para este silêncio que designa tudo.
Mais amplo que si mesmo, disperso pelo ar,
feito o odor doce da dúvida neste céu de veludo.
Não há pássaros noturnos neste céu isento
de lua, nem o que ilumine o semblante agora.
Permaneço quieto para entender por fora
toda a pedra que há em mim por dentro.
Sou o artesanato em praça pública, exposto
ao desejo de alguns, ao tato do verbo insensível,
que me resvala a boca e se emudece. Poço
sem eco a dar resposta ao Mundo, inaudível.
Gesticulo enfim, mimetizo por um instante
todo o vocabulário deste corpo, dou adeus ...
A palavra que escorre de meu peito, infante,
não sou eu ou aquilo a ser dito, e me emudeceu.
Eis que estou sem voz para entender a fala,
para me degustar entre fonemas, ser Eu,
diante de tudo isto que agora me cala.