7/16/2009

OSCILAÇÃO

Por detrás das bananeiras, no ventre de um réptil ou no hiato de um poema,

tudo vê e se move, no lamaçal burocrático da vida pública, no comum do dia,

por entre as entranhas da urbe, pelos becos, pela penumbra da Democracia.

A tudo se corrompe e estravia, desfigura. Nem "a educação pela pedra", pena,

resolveu o dilema de Drumond, o obstáculo figurado do desenvolvimento.

Feito uma pseudociese, um engano proposital, segue a Vida, no fluxo de caixa,

na jaula financeira que toma a coragem de crescer. O Capital deste momento

não é humano, circula por tantas mãos que não gesticula, se alastra e baixa.

7/09/2009

livro - início de capítulo

È no cheiro da terra que repouso meus dentes, afio minha alma na lâmina de uma pedra, risco o rio feito o couro de um salmão, vou correnteza acima até a calma de um ribeirão, leito sereno, onde então procrio e desço de encontro ao mar, de encontro a minha própria vida, oposto ao destino e alheio ao público, feito segredo de poucos, trono de Morfeu. Reinicio cada instante que se parece com a eternidade. Tenho mãos atadas ao adeus, sou só saudade. Melhor viver à margem que ser correnteza. A vida é breve e cabe num soneto, o poema pode ser para sempre... Tenho sede e fome. Observo do telhado aqueles que caminham pela noite e me espreito num beijo faminto e em caninos saciados.

7/04/2009

Já fui avesso às palavras retas, traço
solto na eventual calmaria, sempre
ao redor do Mundo feito atmosfera.
Deus se origina em Mim, é o que faço.
Fui convocado então ainda no ventre,
para ser Aquele que acalma a Fera.

Fiz silêncio por décadas, mas gritei
há três dias. Clamei por meu Reino,
enfrentando a covardia e o imoral.
Meu nome é fragmento do inteiro,
o resto é Ele.