4/16/2015

NÃO FOSSE A REPETIDA AUTENTICIDADE DO QUE É INÉDITO.

caminham e são empilhados sem distinção de cor. seus corpos não envelhecem, não têm nenhum odor. estão em linha reta e seguem no silêncio e pavor. no horizonte de suas esperanças há um corredor, que leva ao muro intransponível da cada loucura, inoculando pensamentos em série, em dispositos móveis e pessoais. Ditam comportamentos em massa, pastoreiam os resultados por impulsos ativos, que penetram nos costumes e se definem em cultura. Tempo é um detalhe na existência, simplesmente passa. existem crianças atônitas frente à tela iluminada. são pigmentos sem pele a se tocar sem intenção; os relacionamentos se fazem à distância alheia; o tato é destinado ao perímetro íntimo da mão baldia que acena para a semelhança, e a anseia, como caninos úmidos a observar a carne enlatada. o futuro é vidro temperado sobre o olhar digital de uma solidão sem nome; naqueles que não se vêem. no recipiente da verdade, o líquido que sacia secou. agora vivem em guetos de consciência; tudo é igual e em série, feito em planilhas-padrão, e o que sou se revela num som, mensagem que chega aos que leem ... é preciso cultivar o caminho de volta, à origem. resgatar da história anônima do que se conhece, a essência inusitada da imaginação, do desejo puro e sem intento maior que o de se extinguir, saciado. rasteja em nós, e nos vicia, o artifício de um afago, que é correnteza em rio seco, sede que nunca perece, que abriga a boca com sertões e pedras, e no futuro destes mesmos lábios mina quase poesia, quase virgem,
não fosse a repetida autenticidade do que é inédito.