8/19/2015


Meu tempo é plástico que imita a eternidade num brinquedo pueril. É pouco para mim, que espero viver para sempre; e nada me espera, Nem a fruta que amadurece em meu paladar antes de ser engolida. Tenho comigo um céu estático, com nuvens disformes, cor de anil, E quando chove é porque insisto em me molhar agora é já era ... As horas se foram mesmo com meu dia claro, para toda a vida. O futuro se revela instantâneo, num sopro gestual de adeus, E a infância dos olhos amadurece calos nas mãos do labor. Meu tempo não é árvore, não padece no solo árido do sertão. Quando é por um abraço de filha eterniza, vira luz no breu De uma lembrança. É azul que floresce neste momento_flor, Pelo presente se espreita de segundos toda a imensidão ... Resta este instante de palavra não dita para revelar tudo. Meu tempo é um grito na madrugada, num gesto que é mudo. No silêncio que é meu a vida pára, ouço e contemplo Contemporâneo, sem tempo e com tempo, contemplo o tempo.

8/03/2015

Crack


Não acenda esta pedra em sua mão. Perderás a realidade pela ilusão. Entre farrapos de alegria e medo, Perpetua o abandono entre iguais. sem perspectiva o ser sem enredo, Imóvel, nada inaugura ou desfaz. Inala a vida sem perder a razão. Seja forte e abandone o desespero. Reconstrua o céu com a amplidão. acredite na esperança primeiro. Se liberte desta pedra sem sonhos. tenha a atitude certa e seja livre...

O jardim muda os espinhos da gente. Tenho na flor meu melhor gesto agora. O aroma noturno que é de repente, Traduz da pétala o que foi embora ... No grão que sustenta toda a flor, Nutre de sonhos o caule viril, Necessita de raiz fincada na dor, Para lembrar de tudo que sentu. Quando me colho pela manhã em maio, deixo pólens pelo caminho que vou. De mim me multiplico quando espalho, o próprio jardim é aquilo que sou.