Meu tempo é plástico que imita a eternidade num brinquedo pueril.
É pouco para mim, que espero viver para sempre; e nada me espera,
Nem a fruta que amadurece em meu paladar antes de ser engolida.
Tenho comigo um céu estático, com nuvens disformes, cor de anil,
E quando chove é porque insisto em me molhar agora é já era ...
As horas se foram mesmo com meu dia claro, para toda a vida.
O futuro se revela instantâneo, num sopro gestual de adeus,
E a infância dos olhos amadurece calos nas mãos do labor.
Meu tempo não é árvore, não padece no solo árido do sertão.
Quando é por um abraço de filha eterniza, vira luz no breu
De uma lembrança. É azul que floresce neste momento_flor,
Pelo presente se espreita de segundos toda a imensidão ...
Resta este instante de palavra não dita para revelar tudo.
Meu tempo é um grito na madrugada, num gesto que é mudo.
No silêncio que é meu a vida pára, ouço e contemplo
Contemporâneo, sem tempo e com tempo, contemplo o tempo.