8/19/2015


Meu tempo é plástico que imita a eternidade num brinquedo pueril. É pouco para mim, que espero viver para sempre; e nada me espera, Nem a fruta que amadurece em meu paladar antes de ser engolida. Tenho comigo um céu estático, com nuvens disformes, cor de anil, E quando chove é porque insisto em me molhar agora é já era ... As horas se foram mesmo com meu dia claro, para toda a vida. O futuro se revela instantâneo, num sopro gestual de adeus, E a infância dos olhos amadurece calos nas mãos do labor. Meu tempo não é árvore, não padece no solo árido do sertão. Quando é por um abraço de filha eterniza, vira luz no breu De uma lembrança. É azul que floresce neste momento_flor, Pelo presente se espreita de segundos toda a imensidão ... Resta este instante de palavra não dita para revelar tudo. Meu tempo é um grito na madrugada, num gesto que é mudo. No silêncio que é meu a vida pára, ouço e contemplo Contemporâneo, sem tempo e com tempo, contemplo o tempo.