É preciso estar febril para sentir o aroma exalado
deste corpo que espera um instante para sempre.
Elabora o silêncio entre o desespero e a calmaria.
Se dantes fora esperança agora é qual um legado,
cuja obra inacabada neste instante, neste ventre,
é a eterna construção do grito que me libertaria.
Não há palavra que alcance sua significância pueril,
ou gesto que ampare seu vôo inaugural, sua estréia.
Seu palco é minha alma, chão de tantos homens,
em muitos de mim. Há no movimento estático ardil
e leveza para penetrar o jardim secreto, que some
no interior invisível e exposto desta imagem etéria.
11/23/2008
11/15/2008
Que Homem é este que circunda o Mundo?
Caminha entre as montanhas mais altas
de Minas com seu violão e voz, que canta?
Será Milton ou Flávio? Retrata do fundo
de tudo, raspa de superfície e rapadura.
No engenho da palavra que me falta
para definir o gesto circular sem inseto,
da luz desamparada pelo vôo; loucura
que concerta o óbvio. Música que estanca.
Caminha entre as montanhas mais altas
de Minas com seu violão e voz, que canta?
Será Milton ou Flávio? Retrata do fundo
de tudo, raspa de superfície e rapadura.
No engenho da palavra que me falta
para definir o gesto circular sem inseto,
da luz desamparada pelo vôo; loucura
que concerta o óbvio. Música que estanca.
BRASIL: MÃE DE TODOS
Do asfalto sem nome o morro é alto e iluminado.
Quem vê a lua de perto se deslumbra com a cor.
Dançam as crianças inocentes na roda de samba,
corre o malandro entre os vários becos do Estado.
Há uma luz fosca que ampara o dia, que arromba
a noite num flerte entre a desigüaldade e o Amor.
Na pletora do invisível revela-se o anônimo sutil
de uma Nação desconhecida, trajada na milícia
que ronda o comum, que cerca toda a multidão
com flores inodoras de uma realidade fictícia
chamada Democracia. Num país chamado Brasil.
Cuja coragem é a órfã desamparada pela coação.
O morro não suporta o condomínio fechado;
o jazz é o responsável pelo funk da periferia.
Cresce bandido, político e santo, traficante
de igüarias burocráticas; ilusionista no sinal
vermelho, circense no ato normativo fadado
a ser autônomo, abstrato, sem lastro infante,
morto na pouca luminosidade da covardia.
Dois anjos negros se saciam na sede de outro.
Alheios ao carnaval e à chacina. Bebem ouro
no cálice violado do proibido, transgridem a fé.
"Tomam a boca" com o argumento de um fusil.
No morro os anjos vão para a puta que os pariu.
Quem vê a lua de perto se deslumbra com a cor.
Dançam as crianças inocentes na roda de samba,
corre o malandro entre os vários becos do Estado.
Há uma luz fosca que ampara o dia, que arromba
a noite num flerte entre a desigüaldade e o Amor.
Na pletora do invisível revela-se o anônimo sutil
de uma Nação desconhecida, trajada na milícia
que ronda o comum, que cerca toda a multidão
com flores inodoras de uma realidade fictícia
chamada Democracia. Num país chamado Brasil.
Cuja coragem é a órfã desamparada pela coação.
O morro não suporta o condomínio fechado;
o jazz é o responsável pelo funk da periferia.
Cresce bandido, político e santo, traficante
de igüarias burocráticas; ilusionista no sinal
vermelho, circense no ato normativo fadado
a ser autônomo, abstrato, sem lastro infante,
morto na pouca luminosidade da covardia.
Dois anjos negros se saciam na sede de outro.
Alheios ao carnaval e à chacina. Bebem ouro
no cálice violado do proibido, transgridem a fé.
"Tomam a boca" com o argumento de um fusil.
No morro os anjos vão para a puta que os pariu.
11/12/2008
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