7/03/2015
Não tem nada que arranque do chão
este céu que desabou inteiro em mim,
no instante em que compreendemos vãos
Por entre a cor das tulipas e dos jasmins.
Havia verde entre os vestígios de uma flor.
o aroma se dissipou pelos poros,
e amanheceu pela noite, inodoro;
foi rubra a pétala perene que nos reiniciou.
Sem medo da luz voou entre asas, rompeu
com espinhos a película estrelada do breu,
firmamento no solo recente que floresceu
num jardim eólico a soprar o que sou eu.
Pólen sem raiz, pulverizado por insetos
quase alados, num improvável vôo abissal.
Não tem nada que me arranque de tão perto
daquilo que germina entre torrões de sal.
De tão ínfimo é infinito.
Calado é quase grito.
Foi essencial, rito,
agora extinto ...
6/15/2015
ainda de pijamas recolhíamos os destroços da noite anterior.
sem distinguir a manhã entre o pó e as lágrimas, empilhamos
os corpos no que restou das ruas. filhos legítimos da dor.
os aviões ainda cortam um céu cinzento do qual restamos.
olhe o futuro acaba de acontecer enquanto as crianças morrem;
veja acima das nuvens e finque os pés no chão. há um vendaval
em sua direção, não arranque as flores do jardim secreto,
não espalhe as pétalas desta verdade, proteja-se no quintal,
entre as ervas daninhas e os girassóis; é preciso aguá-los;
igualmente. se um dia vir por quem, afinal, os sinos dobrem,
esteja certo que estará longe daqui, onde não pôde dobrá-los.
nada substitui o sorriso de uma mãe diante dos filhos vivos.
a trilha segue os rastros dos cães famintos ao longo da estrada;
o frio é inevitável e o couro não resistirá ás farpas e latidos;
teremos que sobreviver na noite sem rumo. à frente tudo ou nada.
ainda que amanheça para todos e o sol nos esquente o semblante,
nos restará o desfiladeiro para a loucura, a glória insana
dos que sobrevivem ao terror. ninguém será jamais como antes,
e não nos reconheceremos, estranhos acuados nesta pequena cabana.
espere querida pelo rio vindouro a desaguar pedras pelo caminho,
cultivaremos nossas flores rupestres na memória de uma pétala rubra.
nos lembraremos de nossos filhos? já não seremos pais, nem irmãos,
teremos que cruzar a cerca de arame farpado à nossa própria procura.
presos no passado brilhante, névoa seca sobre a pele d'água, vinho
esquecido pelo paladar; nos recriaremos nos retalhos ainda sãos,
que nos aquecem agora, nesta noite gélida e cruel, onde meus pés
não encontram teus passos e estou sozinho tentando ser o que és.
MEMÓRIA DE UMA GUERRA. PELAS CRIANÇAS QUE NUNCA CRESCERAM ...
6/13/2015
NO UBRE DA NOITE A AURORA ESTÁ SILENTE.
É DE CARNE A ALMA EMPEDRADA DE LEITE,
SORVIDA DA SEDE RUBRA QUE NOS APAREÇA.
ELABORA NO SONO QUE ENGENDRA A GENTE,
UM GOSTO DE LUA, UM DESEJO QUE ACEITE
A BOCA E ENAMORE A MANHÃ, E AMANHEÇA ...
HÁ SILÊNCIO NO CÉU MATINAL, E ESTRELAS
NO CHÃO, CAÍDAS NO LÚMEN DE PIRILAMPOS
ÉBRIOS, RESTOS NOTURNOS AINDA ESPALHADOS
NA PELE ÚMIDA DAS FOLHAS, OUTROS TANTOS
ESQUECIDOS DE MIM, QUE OBSERVO CENTELHAS
DE IMAGINAÇÃO PUERIL, POR TODO O GADO.
NO COURO INCOERENTE DA VIDA, A ILUSÃO
PARASITA A REALIDADE, A LOUCURA TERÇÃ
ELUCIDA VERDADES DE FORA, E RUMINA
O SER, QUE SE ESPALHA QUASE SEM RAZÃO,
RASTRO NOTURNO QUE OCULTA E TERMINA
POR ESCONDER DA ESSÊNCIA MATINAL, A MANHÃ.
4/25/2015
NO SILÊNCIO QUE COMPÕE A PEDRA OUVE-SE RIO.
NA LÂMINA QUE A ÁGUA ADORNA E DE ONDA BROTA,
NASCENTE QUE SAI DA PEDRA E VIRA CURSO, CIO
DE MAR, ONDE A CORRENTEZA PERDE DOÇURA E CORTA
A PEDRA EM AREIA, LEMBRANÇA LAPIDADA EM TEMPO,
OFERENDA EMBALADA PELAS ONDAS FEITAS AO VENTO.
NA CARNE DA PEDRA SEM SIMETRIA ENSINA-SE CHÃO.
PELA BRUTALIDADE ANALFABETA, EXCLUDENTE E ARDIL,
SE APRENDE COM ALMA A DECIFRAR A PEDRA NO SERTÃO;
QUANDO SE ACOMPANHA O LEITO ONDE O RIO SUMIU ...
SE ESTÁTUA DE GESTO ÚNICO PARA HOMENAGEAR UM ADEUS,
FICA A PEDRA RESTRITA AO ATO, NADA ENSINA DE NOVO.
A RIQUEZA É "FREQUENTÁ-LA" E SABER SEGREDOS SEUS,
POIS QUE A PEDRA PODE SER A ESPERANÇA DE UM POVO.
4/22/2015
4/16/2015
NÃO FOSSE A REPETIDA AUTENTICIDADE DO QUE É INÉDITO.
caminham e são empilhados sem distinção de cor.
seus corpos não envelhecem, não têm nenhum odor.
estão em linha reta e seguem no silêncio e pavor.
no horizonte de suas esperanças há um corredor,
que leva ao muro intransponível da cada loucura,
inoculando pensamentos em série, em dispositos
móveis e pessoais. Ditam comportamentos em massa,
pastoreiam os resultados por impulsos ativos,
que penetram nos costumes e se definem em cultura.
Tempo é um detalhe na existência, simplesmente passa.
existem crianças atônitas frente à tela iluminada.
são pigmentos sem pele a se tocar sem intenção;
os relacionamentos se fazem à distância alheia;
o tato é destinado ao perímetro íntimo da mão
baldia que acena para a semelhança, e a anseia,
como caninos úmidos a observar a carne enlatada.
o futuro é vidro temperado sobre o olhar digital
de uma solidão sem nome; naqueles que não se vêem.
no recipiente da verdade, o líquido que sacia secou.
agora vivem em guetos de consciência; tudo é igual
e em série, feito em planilhas-padrão, e o que sou
se revela num som, mensagem que chega aos que leem ...
é preciso cultivar o caminho de volta, à origem.
resgatar da história anônima do que se conhece,
a essência inusitada da imaginação, do desejo puro
e sem intento maior que o de se extinguir, saciado.
rasteja em nós, e nos vicia, o artifício de um afago,
que é correnteza em rio seco, sede que nunca perece,
que abriga a boca com sertões e pedras, e no futuro
destes mesmos lábios mina quase poesia, quase virgem,
não fosse a repetida autenticidade do que é inédito.
3/06/2015
AMANHÃ E BOA NOITE.
A MANHÃ SE ENLAÇA AO PALADAR "ENÓLICO" DAS PALAVRAS RESTANTES,
ESPALHADAS ALEATORIAMENTE PELO RECINTO QUASE BALDIO EM MIM.
DO QUE FOI DITO PELA NOITE VORAZ, PARTE SE PERDEU EM SILÊNCIOS,
TAMBÉM PELOS SUSSURROS INAUDÍVEIS DA ALMA À PROCURA DE GESTO
QUE DEFINA A EXISTÊNCIA DE VERSOS NÃO RIMADOS. NESTES INSTANTES
EM QUE A SOLIDÃO SE ALASTRA ENTRE NÓS, ISOLADOS NAS TELAS SEM FIM
DOS APARELHOS CELULARES, ME PERGUNTO PELA INAPARÊNCIA E PENSO
EM ESPELHOS QUE REFLETEM OS OUTROS, ALHEIOS ENTRE SI,,, ME RESTO.
O QUE AMPARA A FAMÍLIA NO RASTRO SECO DA MALDADE É A MORAL.
QUE UNE OS HOMENS NO ÁTRIO AMPLO DA VERDADE, QUE LIBERTA
A DIFERENÇA E OS IGUALA. PARA ONDE IRÃO AS RIMAS BRANCAS
E A POESIA LIVRE DA MODERNIDADE? É PRECISO QUE ESTA SETA
VELOZ QUE NOS TRANSPASSA SEJA MELHOR ABSORVIDA COMO TAL,
AO CUSTO DE NÃO RESTAREM VALORES PESSOAIS EM NOSSAS BANCAS.
ASSIM QUE A LUZ PENETRA A JANELA E ELUCIDA A TAÇA QUASE CHEIA,
ME ACORDAM OS ANIMAIS DA AURORA, AS ASAS FULGAZES DA NOITE
ME DEIXAM E CAIO, CANSADO EM MIM MESMO, COM OS SONHOS NAS VEIAS
A DERRAMAREM EM MEU PEITO A VONTADE INIGUALÁVEL DE SONHAR.
QUANDO ENEBRIADO E ETÍLICO, ME RESVALAM ANJOS E SEREIAS,
ENTÃO QUE ADORMEÇO POR SOBRE O COTIDIANO,O RODO E O AÇOITE
DA MANHÃ, QUE ME CONSOME COM A CLARIDADE QUASE LÚCIDA PELO AR.
1/23/2015
INFÂNCIA
DIANTE DE UM SABIÁ CIGARRAS TECEM SILÊNCIO.
ENTRE OS GRÃOS DE MILHO O SOL SE DILACERA.
AINDA É MANHÃ DENTRO DA NOITE DO QUE PENSO.
TENHO ESTRELAS PARA UM CÉU QUE ME ESPERA.
NO VÃO DAS ASAS CRESCEM NUVENS CARREGADAS.
QUANDO COMEÇA A MIGRAÇÃO SE OUVE TROVOADA.
NO INTERIOR DO MATO CRESCEM MENINOS AZUIS,
FORMIGAS CARREGADAS DE SONHOS PUERIS VÃO
AO ENCONTRO DA REALIDADE DA PEDRA, DO CHÃO.
O QUE SOU AGORA TEM ASAS DAQUILO QUE FUI ...
1/01/2015
12/14/2014
Quem inaugura a manhã é um azul oculto
numa pétala noturna,astro senil e floral
a sustentar a arquitetura perene, vulto
infinito de um detalhe no jardim matinal.
A esperança de sol persiste atrás de cinzas
variados em tons de branco, e aves pousadas
sobre rubras telhas úmidas de vontade por céu.
As mais variadas tonalidades vêm das casas
no silêncio das primeiras horas adormecidas
nos olhos cerrados pela noite que resta em véu.
11/15/2014
PARA O AGORA.
O ESPAÇO QUE A VIDA PERCORRE É O MESMO DA MÃO A SEGUIR O RASTRO DO VENTO,
QUE FAZ SULCOS RUPESTRES NA FACE DE DEUS. É O SUSTENTAR AÉREO DAQUILO TUDO
NO MOLDE OCO DA CONSCIÊNCIA RECENTE, MIOSE CELESTE A CONTEMPLAR PENSAMENTO
E EMOÇÃO, ÍMPARES AO TOQUE INESPERADO DO HOMEM, DO ANIMAL, DO VERBO MUDO.
INSTANTES SÃO FRAÇÕES ÍNTEGRAS DE UM FRAGMENTO INATO DE TEMPO INFINITO ...
10/30/2014
MAIS UM DIA PARA SEMPRE ...
... QUANDO O PROJÉTIL ATRAVESSA A CONSCIÊNCIA E SE AMPARA NUM SOPRO.
RESTA O ÚLTIMO LAMPEJO, UM TRAÇO DE FAÍSCA NA NOITE, A PÓLVORA FRIA
ESPALHADA NO GESTO ESTÚPIDO DE UM INSTANTE SOLITÁRIO - BECO SEM SAÍDA.
O DISTINTIVO NO PEITO E O SANGUE NA MÃO. O HOMICÍDIO JUSTIFICADO
PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO, A AUTODEFESA E O PRECONCEITO. DO OUTRO
LADO DA CIDADE A BURGUESIA, NA CALÇADA DA ILUSÃO, DESFILA SONHOS DE DIA.
AMANHECEU E A JUSTIÇA NÃO VIU O GAROTO NEGRO NO CHÃO, O CORPO NA LIDA
DA MORTE, AUSENTE DA CENA DO CRIME, NO PRECIPÍCIO DO DESCASO DESOVADO.
QUEM OUVIU A MÃE CHORAR? QUEM ACHOU SUAS DORES NO COTIDIANO DA FAVELA?
SEU PROJETO DE VIDA NÃO VOLTOU, SEU SORRISO MATINAL, O ABRAÇO AO DEITAR.
NO BARRACO DA CIDADANIA A GELADEIRA ANDA VAZIA, E FALTA ÁGUA NO BAIRRO
NAÇÃO BRASILEIRA. TENHA FÉ MAS LUTE SEMPRE !!!,PARA QUEM REZA RESTA A VELA.
SOMOS UM SÓ COM DRAMÁTICAS DIFERENÇAS. NA RÁDIO DA LIBERDADE QUEM GRITAR
É SILENCIADO. O VOTO ELEGE A FACÇÃO MAIS RICA, NÃO TIRA O HOMEM DO BARRO.
NÃO ACEITE AS MIGALHAS SEM A ESPERANÇA DE FAZER O PÃO. PERCA A FOME SIM,
MAS PROGRIDA COM QUEM TE SACIA, E QUEM TE ALIMENTA DEVE SER A COMUNIDADE,
NÃO PENSE SOMENTE NO QUE É SEU IRMÃO, SOMOS MAIS FORTES UNIDOS, ATÉ O FIM ...
A MILÍCIA ESTATAL TE COBRA A VONTADE, TIRA DE TODOS A ESPERANÇA, INSACIÁVEL
NOS ARRANCA O CORAÇÃO. PROMETE SEGURANÇA NOS AMEAÇANDO, DETURPA A VERDADE
E TE INCRIMINA FRENTE AO TRIBUNAL VENDADO E VENDIDO, FEITO CARNE E CADÁVER.
O CORPO ELUCIDADO ENTRE OUTROS OSSOS É DE UM TRABALHADOR, NÃO TEM NOME,
RECONHECIDO PELA MÃE AINDA EM PRANTOS E PEDINDO POR UMA JUSTIÇA QUE JAZ CEGA.
MAIS UM CRIME SEM SOLUÇÃO, MAIS UM POUCO DE SILÊNCIO NA BOCA DO POVO,
UM TANTO DE MAU HÁLITO NO PERFUME DA MALDADE. O ESTADO AUSENTE, QUE SOME
NA PENUMBRA DA POLÍTICA CRIMINOSA, VEÍCULO DE ACORDOS PÚBLICO-PRIVADOS, MERDA
QUE CONSOME O DINHEIRO DO POVO EM ACORDOS ESCUSOS DE NOVO E DE NOVO, DE NOVO ...
ENTARDECE NA PAISAGEM QUASE LINDA DO MORRO E AO LONGE O SAMBA NOS ALEGRA,
A POESIA AINDA SE FAZ NOS GUETOS E LADEIRAS DA ALMA SURRADA PELO LABOR.
QUERO DIZER NUM SUSSURRO QUE NINGUÉM OUVIRÁ, SENTIR O IMPACTO QUE TRANSPASSA
O OCO NO TÓRAX BALDIO DA MORAL, E MORRER DEVAGAR E SEDENTO DE TANTO AMOR.
E DEPOIS NÃO ACREDITAR EM MAIS NADA, POIS É ASSIM, AQUI A VIDA É UMA TRAPAÇA.
10/23/2014
9/14/2014
7/31/2014
A MATÉRIA NÃO SE EXPANDIU DENTRO DO VÁCUO INODORO DA PAIXÃO.
TUDO SE ASSEMELHA AO OBJETO INSANO DO DESEJO. E TRANSLÚCIDA
A ALMA TURVA O VENTO DA CONSCIÊNCIA, CONFUNDE COM A ILUSÃO
DO PERFEITO CONSTRUÍDO FORA DE SI, ALHEIO AO EU, A DÚVIDA ...
IMAGINADO E QUASE BRUTO, ONÍRICO E VOLÚVEL, O TATO ECOA OA OA oa oa ºª ..
NA FACE DE UM DEUS PATERNO . CONCRETIZADO JUNTO AO MEDO
IMPOSTO FEITO CASTIGO PARA AQUELE QUE NÃO SEGUE E ENTOA
A PALAVRA ESCRITA DE MADEIRA E FERRO, ENCRUSTADA CEDO
NA FRONTE DE QUEM TEM FÉ. NO ESPELHO SONORO DA LEMBRANÇA
REFLETE O SILÊNCIO DA VERDADE; ESSENCIAL FEITO CRIANÇA.
4/18/2014
3/16/2014
SE FOSSE POSSÍVEL TERIA SEU NOME, FARIA SOMBRA
NO SEU SEMBLANTE SORRIDENTE, SERIA TERÇÃ, PUERIL.
NA REALIDADE SÓ ACREDITO SE FANTASIA, SOU ALHEIO
À RAZÃO, PARALELO À LOUCURA, NÃO TERIA LADO OU MEIO,
SE NÃO FOSSE O AVESSO, O FUNDO SUPERFICIAL E ANIL
QUE NOS ENSOLARA COM UM CÉU ... QUE NOS ESCOMBRA.
ATÉ ONDE SOU EU? SE FINDO ENTRE HIATOS ATÔNITOS
OU POR DITONGOS ÁTONOS, QUE PERDERAM O AGUDO TIL.
A VIDA LEVADA E O BANAL QUE É APERTAR UM GATILHO
ÁVIDO
1/20/2014
8/28/2013
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