7/03/2008

É PRECISO RECUAR!!!

Não avancem seus exércitos! Recuem!!!
O vale esconde seus segredos e ruínas.
Observo ao caule de uma araucária só,
entre pedras milenares, o destino em
se querer conquistar, as aves de rapina,
os cadáveres recentes do futuro. O pó.

È preciso decidir se o gesto nos valerá.
Meu legado está nas palavras, quieto,
no silêncio estridente deste vendaval.
São tantos os jovens na infantaria; há
mulheres e crianças órfãos neste Gesto.
È preciso recuar dos tigres no bambuzal.

Lá embaixo onde a vida se refaz, no oco
da multidão, está o Rei. Numa armadura
de prata e brasão de ouro, sem estandarte.
Não existe causa que justifique os poucos
avanços da guerra. È preciso recuar! Já!!!
Eles não procuram saída, escapatória, ar
ou amplidão. Parados no átrio da loucura,
aguardam o momento em que a lâmina parte...

São bravos, heróis e inocentes. Dão a vida
por um soberano, honrados em tê-lo servido,
em morrer em paz. Nada vale ser eterno,
se não for lembrado. Um nome numa lápide
é como risco de uma estrela no inverno
frio de uma lembrança. Uma luz erguida
para denunciar um universo esquecido.