9/25/2009

... no invisível de um gesto desumano, enclausura-se o amor e a esperança. Pelo breu inominado do olhar sedento logo após a transformação. Um resquício de desejo em mim pela vida, se nega a penetrar meus caninos na jugular exposta aos meus lábios entreabertos, seria condená-la ao vazio dos dias e à eterna noite a cobrar de mim tantos ml de sangue. Num instante essencial ela olha e me encara, e pede que finalize o ato com um beijo em seu pescoço. Eu reluto e a deixo, desorientada no leito fecundo da perenidade, sob um lençol branco e a luz receosa em elucidar minhas lágrimas bestiais. Sinto tuas mãos tocarem meus ombros devotamente, a me virarem de frente e ao avesso, então renego minha natureza, repudio este instinto mortífero e insaciável que faz o tempo me relevar, abandonar-me para sempre. Nunca faria isso por aquela que amo, e procuro sua boca sofregamente, avidamente, agora.