9/17/2009

Fosse carvão nos dedos de Deus, que criara o fogo num gesto súbito e certeiro, apontado para o peito de um dragão ferido. Viesse cavalgando um corcel negro no branco da areia, matinal, tendo o vento e a vida ao encontro de seus olhos. Mas na carne do cotidiano representa uma família faminta. O desemprego e a fé quase se equilibram e então pelo desamparo a desesperança cresce e torna órfão a cidadania. É quando Deus retorna no coração de tantos, que se ajoelham e agradecem a graça, aqueles que rezam e se confinam, no celibato essencial à teologia, pelo mesentério humano que contrai nossa alma quando morre uma criança de fome, de repente, agora. No final da tarde há um cheiro de gente, que entardece a vontade, torna imóvel o desejo. Nuvem rubra e vespertina, traz o frio e a navalha. Estivesse com o ventre na reta, sentiria o metal por dentro, fosse aquele meu instante derradeiro, sem adeus, com saudade, para sempre.