Não é de cansar o céu com estrelas cadentes;
se vira bicho para mostrar-se mais humano;
entra na ágüa e soletra um peixe numa vogal
atônica, sussurrada por dentro do rio, e azul.
Foi criada no terreiro com os negros. É mãe;
foi pai; hoje é criança. Grávida, adolescente.
Dizem que pesca com os olhos da magia; ano
tardio na esperança vindoura. È cria d'outra
entidade; nasceu nua na noite que o quintal,
escuro, se iluminou sem saber. veio e zulmm.
Zuniu pela senzala entre criação e o homem.
Não há nesta localidade mão que dela apanhe
um grão de vida. Virou chão e ainda consome
a memória de quem a viu. Inteira ainda pouca
é a oportunidade que se dá. O repleto e o tudo
de estar no outro sendo si mesmo. Pela gente,
que a sentiu de perto, preto profundo veludo
é a noite que se faz de várias estrelas cadentes.
3/23/2007
3/10/2007
Dia bucólico
Nesta mesma hora, ontem, aqueles insetos
entravam pelas janelas, trazidos no vento,
esvoaçados pela sala, sem direção, isentos
de luz, no escuro horário do dia, inquietos.
Debruçado no parapeito rupestre e frio da
manhã, coletando borboletas matinais, eu
recomponho o mundo na cor rubra do céu
que se reinicia, na roça, pela saia molhada,
a cachoeira que jorra na gente um rio; deu
para ver aquelas fadas, coloridas, e ao léo.
Atravessei a porta da cozinha para a copa.
O azulejo do chão, rachado pelo temo, frio,
está orvalhado, esta claridade sobre o pão
atravessado pela fome é a mesma que o cio
canino exala, é um gesto doméstico, troca;
No inseto que acorda, atordoado num chão
de tábua corrida que nos leva até ao quarto
onde adormeci ontem sob o som da chuva,
num tempo de sonhar, sóbrio e estupefato.
Neste instante em minhas mãos, nas luvas.
Desci pela escada dos fundos e o cão latiu.
O retireiro vinha devagar, a vida era lenta.
Tomei do leite, quente, ubre que inventa a
manhã naquele sabor. O gado então seguiu
a estrada até o pasto. Eu ainda era pequeno
quando a vida se resumia ma viver; sereno
que cai pela tarde da gente, eterna e pueril.
entravam pelas janelas, trazidos no vento,
esvoaçados pela sala, sem direção, isentos
de luz, no escuro horário do dia, inquietos.
Debruçado no parapeito rupestre e frio da
manhã, coletando borboletas matinais, eu
recomponho o mundo na cor rubra do céu
que se reinicia, na roça, pela saia molhada,
a cachoeira que jorra na gente um rio; deu
para ver aquelas fadas, coloridas, e ao léo.
Atravessei a porta da cozinha para a copa.
O azulejo do chão, rachado pelo temo, frio,
está orvalhado, esta claridade sobre o pão
atravessado pela fome é a mesma que o cio
canino exala, é um gesto doméstico, troca;
No inseto que acorda, atordoado num chão
de tábua corrida que nos leva até ao quarto
onde adormeci ontem sob o som da chuva,
num tempo de sonhar, sóbrio e estupefato.
Neste instante em minhas mãos, nas luvas.
Desci pela escada dos fundos e o cão latiu.
O retireiro vinha devagar, a vida era lenta.
Tomei do leite, quente, ubre que inventa a
manhã naquele sabor. O gado então seguiu
a estrada até o pasto. Eu ainda era pequeno
quando a vida se resumia ma viver; sereno
que cai pela tarde da gente, eterna e pueril.
3/02/2007
E agora João Hélio
E agora joão?
A vida acabou,
a luz apagou,
o povo se reuniu,
se indignou,
e agora João?
e agora você?
você que é sem nome,
que se preocupa,
você que sofreu,
que ama, protesta?
e agora, João?
E agora, João?
sua doce palavra,
seu sorriso pueril,
seu abraço já não há.
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você está vivo, João!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sen leito para dormir,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
a Humanidade marcha, João!
João, para onde?
Dedicado à reflexão de todos nós. Poema inspirado na obra de Carlos Drummond, José.
A vida acabou,
a luz apagou,
o povo se reuniu,
se indignou,
e agora João?
e agora você?
você que é sem nome,
que se preocupa,
você que sofreu,
que ama, protesta?
e agora, João?
E agora, João?
sua doce palavra,
seu sorriso pueril,
seu abraço já não há.
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você está vivo, João!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sen leito para dormir,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
a Humanidade marcha, João!
João, para onde?
Dedicado à reflexão de todos nós. Poema inspirado na obra de Carlos Drummond, José.
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