3/02/2007

E agora João Hélio

E agora joão?
A vida acabou,
a luz apagou,
o povo se reuniu,
se indignou,
e agora João?
e agora você?
você que é sem nome,
que se preocupa,
você que sofreu,
que ama, protesta?
e agora, João?

E agora, João?
sua doce palavra,
seu sorriso pueril,
seu abraço já não há.

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você está vivo, João!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sen leito para dormir,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
a Humanidade marcha, João!
João, para onde?




Dedicado à reflexão de todos nós. Poema inspirado na obra de Carlos Drummond, José.