Não é de cansar o céu com estrelas cadentes;
se vira bicho para mostrar-se mais humano;
entra na ágüa e soletra um peixe numa vogal
atônica, sussurrada por dentro do rio, e azul.
Foi criada no terreiro com os negros. É mãe;
foi pai; hoje é criança. Grávida, adolescente.
Dizem que pesca com os olhos da magia; ano
tardio na esperança vindoura. È cria d'outra
entidade; nasceu nua na noite que o quintal,
escuro, se iluminou sem saber. veio e zulmm.
Zuniu pela senzala entre criação e o homem.
Não há nesta localidade mão que dela apanhe
um grão de vida. Virou chão e ainda consome
a memória de quem a viu. Inteira ainda pouca
é a oportunidade que se dá. O repleto e o tudo
de estar no outro sendo si mesmo. Pela gente,
que a sentiu de perto, preto profundo veludo
é a noite que se faz de várias estrelas cadentes.