4/15/2009

CRONUS DEI

Trouxe o tempo para a estante de livros. Envelheceu

entre as estórias e as orelhas, foi intérprete não de si,

mas de outros, muitos que fizeram parte desta vida,

deste lugar que construíram com as mãos, de alma.

Feito de finitude e atemporal, circula um só Deus,

que engendra o moinho celeste e o quadro de giz,

onde o destino é escrito. Resta a memória aguerrida

ao homem, ventral a uma mulher, tempestade calma,

que nina sua filha e acorda seus cães, noite serena,

e dez galos se anunciam pela madrugada. Sem lua,

na escuridão, tece a manhã através de um verso.

Vai rente ao chão, o cio derramado pela cobiça,

e um séquito desejoso e fulgás. Durante a cena,

ela se recusa ao papel, apaga os fonemas de sua

fala, emudece seus atos, dá um grito ao inverso

e cai. Deixa ao tempo a eternidade implícita.