Trouxe o tempo para a estante de livros. Envelheceu
entre as estórias e as orelhas, foi intérprete não de si,
mas de outros, muitos que fizeram parte desta vida,
deste lugar que construíram com as mãos, de alma.
Feito de finitude e atemporal, circula um só Deus,
que engendra o moinho celeste e o quadro de giz,
onde o destino é escrito. Resta a memória aguerrida
ao homem, ventral a uma mulher, tempestade calma,
que nina sua filha e acorda seus cães, noite serena,
e dez galos se anunciam pela madrugada. Sem lua,
na escuridão, tece a manhã através de um verso.
Vai rente ao chão, o cio derramado pela cobiça,
e um séquito desejoso e fulgás. Durante a cena,
ela se recusa ao papel, apaga os fonemas de sua
fala, emudece seus atos, dá um grito ao inverso
e cai. Deixa ao tempo a eternidade implícita.