11/30/2015

Se você conhece alguém de Netuno, Ou sabe flutuar entre os espinhos, Avance com a alma três espiritos. Carregue o vidro da manhã sozinho, Nos olhos úmidos de serem noturnos. Por tudo que é inaudível num grito. Tenha os pés sobre o tapete persa, ue ampara os reis e os imuniza Do Mundo. Espalhe as pedras nessa Leveza imóvel a nos banhar em brisa. O sol persegue o gesto inebriado da noite, Elucida do escuro a face adormecida de Adão. Num quase sorriso experimenta os lábios então. Se reconhece num meteoro lunar que "foi_se". De repente se inaugura a rua em ladrilhos azuis, Caminha um céu aberto, descamisado, lindo e livre. Se já pousaste de uma nuvem cúmulos, que conduz Relâmpagos aos montes, então sabes o que tive... Fui elemento para descobrir o rio, provei o lúmen Arbóreo das estrelas no jardim, decantei e vi, No fundo laminar da superfície, o mineral, o homem, Que se consomem em desejo, até não mais existir. Te

11/21/2015


ESCONDE NO GATILHO DA VERDADE PARA MOSTRAR A CARA, PARA GASTAR A GRANA QUE ALMA COMPROU COM TODA BALA, QUE ACHOU MARIA, DESBRAVOU SEU PEITO E SEGUIU PARA SE ALOJAR NO BALCÃO, ONDE SE VENDE LIBERDADE CARA. PEGOU CONDUÇÃO E FOI FAVELA ACIMA. CORREU DA FARDA, SE ESCONDEU NO MORRO. SENTADO NO CHÃO CRÚ DO BARRACO, CONTA A GRANA POUCA QUE VALEU A VIDA QUASE PÁLIDA DA CIDADANIA, TAPETE ESCURO A ILUMINAR ESTE BURACO. DIZEM QUE HÁ ORDEM, QUE O PAÍS ESTA DIFERENTE, SÓ VEJO DIFICULDADE, TUDO DESIGUAL, SISTEMA INJUSTO, POBRE NA PERIFERIA, RICO NO CENTRO DO QUE É DA GENTE, IMPOSTOS A MAIS, DINHEIRO SEM DONO, POLÍTICO CORRUPTO. SE É DE BRASÍLIA OU DO IRAJÁ, DO LEBLON OU DE MADUREIRA, QUEM MATA OCULTA A CONSCIÊNCIA DOS OLHOS, NINGUÉM VÊ? SE TODO MUNDO SABE E NINGUÉM É RESPONSABILIZADO. CAVEIRA SOBE O ASFALTO E MATA "BANDIDO", MATÉRIA PRO RÁDIO E TV.

10/04/2015

NATURAL ...........

TENHO PARA OS DIAS ENSOLARADOS DOIS AZUIS DE DEZEMBRO. UM QUE É CÉU VESPERTINO, OUTRO QUE É VIDRO, ONDE BEBO UM RIO, QUE CORRE EM MIM, ME DESGASTA PEDRA, ME LAPIDA A ALMA E CORRE DE MIM ... NAS MANHÃS QUANDO ME LEMBRO, PROCURO RESTOS DA NOITE, ESTRELAS, RASTROS DE LUA, O NEGRO, TENHO SAUDADE DOS SONHOS QUE TIVE POR TODA A VIDA... VAI. SIGA O CAMINHO QUE NUNCA PERCORREU, SE DENUDE. É PRECISO O INUSITADO PARA SE INAUGURAR. SORRIA. QUANDO O SOL ENTRAR DEIXA A PELE EXPOSTA, CUIDE, POIS TUDO NECESSITA PERDURAR PARA SER ETERNO NUM DIA. NADA ME FALTA AO GESTO DE ADEUS, POIS É PRECISO PARTIR, PARA DEPOIS VOLTAR. TUDO VALE UM ABRAÇO SAUDOSO. LÁGRIMAS SÃO PARA LUBRIFICAR A PAISAGEM E FLORIR OS OLHOS COM AS CORES DE QUEM SE VÊ SEMPRE E DE NOVO. TAMBÉM GUARDO MONTANHAS EM MEUS PASSOS, NUVENS. DIZEM DOS QUE SONHAM ACORDADOS, SEREM ILUDIDOS PELO COTIDIANO, MAS QUEM SONHA OUTROS OUTROS IDOS, VAI ONDE NINGUÉM NUNCA FOI, FEITO OUTRAS NUVENS... TENHO PARA NOITES ENLUARADAS, ESTRELAS QUE COLHI, JUNTO À MARGEM DE MEUS DEDOS CEGOS, NO LEITO RASO QUE ME APROFUNDA, DESTE RIO CUJA CAUDA EU PERDI, E VIREI CHUVA, MOLHEI O MUNDO, FUI BRISA E TORNADO.

8/19/2015


Meu tempo é plástico que imita a eternidade num brinquedo pueril. É pouco para mim, que espero viver para sempre; e nada me espera, Nem a fruta que amadurece em meu paladar antes de ser engolida. Tenho comigo um céu estático, com nuvens disformes, cor de anil, E quando chove é porque insisto em me molhar agora é já era ... As horas se foram mesmo com meu dia claro, para toda a vida. O futuro se revela instantâneo, num sopro gestual de adeus, E a infância dos olhos amadurece calos nas mãos do labor. Meu tempo não é árvore, não padece no solo árido do sertão. Quando é por um abraço de filha eterniza, vira luz no breu De uma lembrança. É azul que floresce neste momento_flor, Pelo presente se espreita de segundos toda a imensidão ... Resta este instante de palavra não dita para revelar tudo. Meu tempo é um grito na madrugada, num gesto que é mudo. No silêncio que é meu a vida pára, ouço e contemplo Contemporâneo, sem tempo e com tempo, contemplo o tempo.

8/03/2015

Crack


Não acenda esta pedra em sua mão. Perderás a realidade pela ilusão. Entre farrapos de alegria e medo, Perpetua o abandono entre iguais. sem perspectiva o ser sem enredo, Imóvel, nada inaugura ou desfaz. Inala a vida sem perder a razão. Seja forte e abandone o desespero. Reconstrua o céu com a amplidão. acredite na esperança primeiro. Se liberte desta pedra sem sonhos. tenha a atitude certa e seja livre...

O jardim muda os espinhos da gente. Tenho na flor meu melhor gesto agora. O aroma noturno que é de repente, Traduz da pétala o que foi embora ... No grão que sustenta toda a flor, Nutre de sonhos o caule viril, Necessita de raiz fincada na dor, Para lembrar de tudo que sentu. Quando me colho pela manhã em maio, deixo pólens pelo caminho que vou. De mim me multiplico quando espalho, o próprio jardim é aquilo que sou.

7/03/2015

Não tem nada que arranque do chão este céu que desabou inteiro em mim, no instante em que compreendemos vãos Por entre a cor das tulipas e dos jasmins. Havia verde entre os vestígios de uma flor. o aroma se dissipou pelos poros, e amanheceu pela noite, inodoro; foi rubra a pétala perene que nos reiniciou. Sem medo da luz voou entre asas, rompeu com espinhos a película estrelada do breu, firmamento no solo recente que floresceu num jardim eólico a soprar o que sou eu. Pólen sem raiz, pulverizado por insetos quase alados, num improvável vôo abissal. Não tem nada que me arranque de tão perto daquilo que germina entre torrões de sal. De tão ínfimo é infinito. Calado é quase grito. Foi essencial, rito, agora extinto ...

6/15/2015

ainda de pijamas recolhíamos os destroços da noite anterior. sem distinguir a manhã entre o pó e as lágrimas, empilhamos os corpos no que restou das ruas. filhos legítimos da dor. os aviões ainda cortam um céu cinzento do qual restamos. olhe o futuro acaba de acontecer enquanto as crianças morrem; veja acima das nuvens e finque os pés no chão. há um vendaval em sua direção, não arranque as flores do jardim secreto, não espalhe as pétalas desta verdade, proteja-se no quintal, entre as ervas daninhas e os girassóis; é preciso aguá-los; igualmente. se um dia vir por quem, afinal, os sinos dobrem, esteja certo que estará longe daqui, onde não pôde dobrá-los. nada substitui o sorriso de uma mãe diante dos filhos vivos. a trilha segue os rastros dos cães famintos ao longo da estrada; o frio é inevitável e o couro não resistirá ás farpas e latidos; teremos que sobreviver na noite sem rumo. à frente tudo ou nada. ainda que amanheça para todos e o sol nos esquente o semblante, nos restará o desfiladeiro para a loucura, a glória insana dos que sobrevivem ao terror. ninguém será jamais como antes, e não nos reconheceremos, estranhos acuados nesta pequena cabana. espere querida pelo rio vindouro a desaguar pedras pelo caminho, cultivaremos nossas flores rupestres na memória de uma pétala rubra. nos lembraremos de nossos filhos? já não seremos pais, nem irmãos, teremos que cruzar a cerca de arame farpado à nossa própria procura. presos no passado brilhante, névoa seca sobre a pele d'água, vinho esquecido pelo paladar; nos recriaremos nos retalhos ainda sãos, que nos aquecem agora, nesta noite gélida e cruel, onde meus pés não encontram teus passos e estou sozinho tentando ser o que és. MEMÓRIA DE UMA GUERRA. PELAS CRIANÇAS QUE NUNCA CRESCERAM ...

6/13/2015

NO UBRE DA NOITE A AURORA ESTÁ SILENTE. É DE CARNE A ALMA EMPEDRADA DE LEITE, SORVIDA DA SEDE RUBRA QUE NOS APAREÇA. ELABORA NO SONO QUE ENGENDRA A GENTE, UM GOSTO DE LUA, UM DESEJO QUE ACEITE A BOCA E ENAMORE A MANHÃ, E AMANHEÇA ... HÁ SILÊNCIO NO CÉU MATINAL, E ESTRELAS NO CHÃO, CAÍDAS NO LÚMEN DE PIRILAMPOS ÉBRIOS, RESTOS NOTURNOS AINDA ESPALHADOS NA PELE ÚMIDA DAS FOLHAS, OUTROS TANTOS ESQUECIDOS DE MIM, QUE OBSERVO CENTELHAS DE IMAGINAÇÃO PUERIL, POR TODO O GADO. NO COURO INCOERENTE DA VIDA, A ILUSÃO PARASITA A REALIDADE, A LOUCURA TERÇÃ ELUCIDA VERDADES DE FORA, E RUMINA O SER, QUE SE ESPALHA QUASE SEM RAZÃO, RASTRO NOTURNO QUE OCULTA E TERMINA POR ESCONDER DA ESSÊNCIA MATINAL, A MANHÃ.

4/25/2015

NO SILÊNCIO QUE COMPÕE A PEDRA OUVE-SE RIO. NA LÂMINA QUE A ÁGUA ADORNA E DE ONDA BROTA, NASCENTE QUE SAI DA PEDRA E VIRA CURSO, CIO DE MAR, ONDE A CORRENTEZA PERDE DOÇURA E CORTA A PEDRA EM AREIA, LEMBRANÇA LAPIDADA EM TEMPO, OFERENDA EMBALADA PELAS ONDAS FEITAS AO VENTO. NA CARNE DA PEDRA SEM SIMETRIA ENSINA-SE CHÃO. PELA BRUTALIDADE ANALFABETA, EXCLUDENTE E ARDIL, SE APRENDE COM ALMA A DECIFRAR A PEDRA NO SERTÃO; QUANDO SE ACOMPANHA O LEITO ONDE O RIO SUMIU ... SE ESTÁTUA DE GESTO ÚNICO PARA HOMENAGEAR UM ADEUS, FICA A PEDRA RESTRITA AO ATO, NADA ENSINA DE NOVO. A RIQUEZA É "FREQUENTÁ-LA" E SABER SEGREDOS SEUS, POIS QUE A PEDRA PODE SER A ESPERANÇA DE UM POVO.

4/22/2015


A luz revela a madeira usada para o labor da guerra. Entre a penumbra e a claridade do tempo que se esvai ... O descanso ancorado em silêncio, por cima da terra, não mais alcança o mar, não navega, é o próprio cais.

4/16/2015

NÃO FOSSE A REPETIDA AUTENTICIDADE DO QUE É INÉDITO.

caminham e são empilhados sem distinção de cor. seus corpos não envelhecem, não têm nenhum odor. estão em linha reta e seguem no silêncio e pavor. no horizonte de suas esperanças há um corredor, que leva ao muro intransponível da cada loucura, inoculando pensamentos em série, em dispositos móveis e pessoais. Ditam comportamentos em massa, pastoreiam os resultados por impulsos ativos, que penetram nos costumes e se definem em cultura. Tempo é um detalhe na existência, simplesmente passa. existem crianças atônitas frente à tela iluminada. são pigmentos sem pele a se tocar sem intenção; os relacionamentos se fazem à distância alheia; o tato é destinado ao perímetro íntimo da mão baldia que acena para a semelhança, e a anseia, como caninos úmidos a observar a carne enlatada. o futuro é vidro temperado sobre o olhar digital de uma solidão sem nome; naqueles que não se vêem. no recipiente da verdade, o líquido que sacia secou. agora vivem em guetos de consciência; tudo é igual e em série, feito em planilhas-padrão, e o que sou se revela num som, mensagem que chega aos que leem ... é preciso cultivar o caminho de volta, à origem. resgatar da história anônima do que se conhece, a essência inusitada da imaginação, do desejo puro e sem intento maior que o de se extinguir, saciado. rasteja em nós, e nos vicia, o artifício de um afago, que é correnteza em rio seco, sede que nunca perece, que abriga a boca com sertões e pedras, e no futuro destes mesmos lábios mina quase poesia, quase virgem,
não fosse a repetida autenticidade do que é inédito.

3/06/2015

AMANHÃ E BOA NOITE.

A MANHÃ SE ENLAÇA AO PALADAR "ENÓLICO" DAS PALAVRAS RESTANTES, ESPALHADAS ALEATORIAMENTE PELO RECINTO QUASE BALDIO EM MIM. DO QUE FOI DITO PELA NOITE VORAZ, PARTE SE PERDEU EM SILÊNCIOS, TAMBÉM PELOS SUSSURROS INAUDÍVEIS DA ALMA À PROCURA DE GESTO QUE DEFINA A EXISTÊNCIA DE VERSOS NÃO RIMADOS. NESTES INSTANTES EM QUE A SOLIDÃO SE ALASTRA ENTRE NÓS, ISOLADOS NAS TELAS SEM FIM DOS APARELHOS CELULARES, ME PERGUNTO PELA INAPARÊNCIA E PENSO EM ESPELHOS QUE REFLETEM OS OUTROS, ALHEIOS ENTRE SI,,, ME RESTO. O QUE AMPARA A FAMÍLIA NO RASTRO SECO DA MALDADE É A MORAL. QUE UNE OS HOMENS NO ÁTRIO AMPLO DA VERDADE, QUE LIBERTA A DIFERENÇA E OS IGUALA. PARA ONDE IRÃO AS RIMAS BRANCAS E A POESIA LIVRE DA MODERNIDADE? É PRECISO QUE ESTA SETA VELOZ QUE NOS TRANSPASSA SEJA MELHOR ABSORVIDA COMO TAL, AO CUSTO DE NÃO RESTAREM VALORES PESSOAIS EM NOSSAS BANCAS. ASSIM QUE A LUZ PENETRA A JANELA E ELUCIDA A TAÇA QUASE CHEIA, ME ACORDAM OS ANIMAIS DA AURORA, AS ASAS FULGAZES DA NOITE ME DEIXAM E CAIO, CANSADO EM MIM MESMO, COM OS SONHOS NAS VEIAS A DERRAMAREM EM MEU PEITO A VONTADE INIGUALÁVEL DE SONHAR. QUANDO ENEBRIADO E ETÍLICO, ME RESVALAM ANJOS E SEREIAS, ENTÃO QUE ADORMEÇO POR SOBRE O COTIDIANO,O RODO E O AÇOITE DA MANHÃ, QUE ME CONSOME COM A CLARIDADE QUASE LÚCIDA PELO AR.

1/23/2015

INFÂNCIA

DIANTE DE UM SABIÁ CIGARRAS TECEM SILÊNCIO. ENTRE OS GRÃOS DE MILHO O SOL SE DILACERA. AINDA É MANHÃ DENTRO DA NOITE DO QUE PENSO. TENHO ESTRELAS PARA UM CÉU QUE ME ESPERA. NO VÃO DAS ASAS CRESCEM NUVENS CARREGADAS. QUANDO COMEÇA A MIGRAÇÃO SE OUVE TROVOADA. NO INTERIOR DO MATO CRESCEM MENINOS AZUIS, FORMIGAS CARREGADAS DE SONHOS PUERIS VÃO AO ENCONTRO DA REALIDADE DA PEDRA, DO CHÃO. O QUE SOU AGORA TEM ASAS DAQUILO QUE FUI ...

1/01/2015


O silêncio pueril da eternidade repousa altivo entre as folhas perenes,frente ao vento voraz que eleva as raízes da verdade,elucida o chão e espalha o aroma da esperança,ao longe sentido. Se ainda semente a vida, que nasça ainda por trás do sol, feito paisagem oculta, outra intenção. No futuro que é árvore, pela carne que é fruta, se fartam os lábios de Deus no presente faminto. Entender o outono no homem é contemplar aridez. Um animal acuado pelo tempo, e que ainda o furta com instantes de inspiração, imortal em três segundos, morto a cada instante e ainda extinto.