Pelo silêncio do tempo ele observa o cotidiano.
Frente à porta do Mundo, guardião das histórias,
com a calma de ser eterno, pés erguidos do chão,
contempla a tarde de todos os dias, e é um cigano
a percorrer os instantes de um Homem, é um vão
que se abre a relatar as cores celestes, aleatórias,
representadas pelo azul de agora, eternamente ...
foto machadinha 6z
12/10/2007
ALMA DESCALÇA
O dia inteiro repousa neste instante,
quando o Homem, descalço, sonha.
No cansaço do couro_de tão usado
não se distingue dos pés. E espera,
na tarde, que é para sempre; apanha
os breves momentos fulgases diante
da vida, que é terreiro, se faz estrada
na esperança, aberta no futuro, lado
a lado, feito um par, que ainda espera
eternamente, para uma nova caminhada.
foto 00077
quando o Homem, descalço, sonha.
No cansaço do couro_de tão usado
não se distingue dos pés. E espera,
na tarde, que é para sempre; apanha
os breves momentos fulgases diante
da vida, que é terreiro, se faz estrada
na esperança, aberta no futuro, lado
a lado, feito um par, que ainda espera
eternamente, para uma nova caminhada.
foto 00077
ESTRADA DE UM TEMPO
Descalça a vida é rústica e simplória.
O cansaço do dia se ampara qual fruta
no último galho da temporada. Cairá,
Quando a esperança se vestir das botas
do Homem, buscando a semente solar,
que gera, na luz vital da estrada, horas
de caminhada até completar a labuta,
romper toda a trilha na tarde, até a porta.
O cansaço do dia se ampara qual fruta
no último galho da temporada. Cairá,
Quando a esperança se vestir das botas
do Homem, buscando a semente solar,
que gera, na luz vital da estrada, horas
de caminhada até completar a labuta,
romper toda a trilha na tarde, até a porta.
10/27/2007
No sulco sem meio cresce o útero fecundo.
Ao passo lento de uma geração, e caminha-
Sempre que é súbito se anuncia!- chega lá.
Afeito às reminicências da tarde, que tinha
a feição do abandono na cara deste Mundo.
Enteral e nocivo feito aroma espalhado, ar.
Não deixemos escorrer toda a essência!
O poeta sorve o seco quando vai e cala.
Ampare com as mãos vazias a ausência,
acolha o verbo e acalente então, fala.
Ao passo lento de uma geração, e caminha-
Sempre que é súbito se anuncia!- chega lá.
Afeito às reminicências da tarde, que tinha
a feição do abandono na cara deste Mundo.
Enteral e nocivo feito aroma espalhado, ar.
Não deixemos escorrer toda a essência!
O poeta sorve o seco quando vai e cala.
Ampare com as mãos vazias a ausência,
acolha o verbo e acalente então, fala.
10/21/2007
Não vim aqui beber da ágüa eterna na fonte.
Nem coletar asas de coleópteros em mim; no
vão da janela. Estou ereto frente à ida infante
desta tarde a ensolarar a noite onde eu findo.
Se cresço entre as raízes e subo em árvores,
alcanço o luar na imensidão, posso de tudo,
um pouco menos do que o tempo explica, e
quando ...
Nem coletar asas de coleópteros em mim; no
vão da janela. Estou ereto frente à ida infante
desta tarde a ensolarar a noite onde eu findo.
Se cresço entre as raízes e subo em árvores,
alcanço o luar na imensidão, posso de tudo,
um pouco menos do que o tempo explica, e
quando ...
10/04/2007
AQÜARELA
Tem gosto de rio a correr seio abaixo.
Mistura de leitos, correnteza, um trem
desgorvenado entre pêlos pubianos, o
azul que almeja todo rio: Ser o mar ...
Minha nau suada, embarcação, cacho
de fruta na carne do sol. E mesmo sem
lua enluarar, ,,,,, .. .
Com vigor!
Se lava a mulata na ágüa que é o rio e
corre em si. Transborda se amparada
à beira da tela. Pintura bucólica, boca
cheia de outra, lingüal, saliva trocada
de uma palavra à outra, entre o cio de
uma alcatéia. Quando a vida é pouca,
num banho na tarde, em frente a mim
mesmo, a fonte que mina um oceano,
junto ao sopro sussurrado e profano,
brisa marinha no rio que deságüa enfim.
Mistura de leitos, correnteza, um trem
desgorvenado entre pêlos pubianos, o
azul que almeja todo rio: Ser o mar ...
Minha nau suada, embarcação, cacho
de fruta na carne do sol. E mesmo sem
lua enluarar, ,,,,, .. .
Com vigor!
Se lava a mulata na ágüa que é o rio e
corre em si. Transborda se amparada
à beira da tela. Pintura bucólica, boca
cheia de outra, lingüal, saliva trocada
de uma palavra à outra, entre o cio de
uma alcatéia. Quando a vida é pouca,
num banho na tarde, em frente a mim
mesmo, a fonte que mina um oceano,
junto ao sopro sussurrado e profano,
brisa marinha no rio que deságüa enfim.
8/12/2007
Talvez infância seja recolher o que restou da chuva.
Por em copos uma poça d´ágüa, sonhar com um rio
nas mãos, ser correnteza na superfície deste tempo
de brincar. Quem sabe envelhecer não seja a curva,
o atalho da vida a toda retidão; talvez seja no vento
que trás o temporal, que a criança repouse, no cio,
no eterno querer pueril...
fig. - ças4
Por em copos uma poça d´ágüa, sonhar com um rio
nas mãos, ser correnteza na superfície deste tempo
de brincar. Quem sabe envelhecer não seja a curva,
o atalho da vida a toda retidão; talvez seja no vento
que trás o temporal, que a criança repouse, no cio,
no eterno querer pueril...
fig. - ças4
Quando a imagem se faz é o branco que vejo.
Pelos olhos do vendaval na pétala avulsa que
circula minha alma e levanta meu corpo, tejo,
disposto a enfrentar o tempo; parado por aqui
mesmo. A esmo. . .
Dos réus que restaram, no acorde do trovão, e.
Na diversidade dispersa pela tua mão, raízes de
nehuma fruta. Somente caroços de alegria, e se
virar árvore será imensa. Fará sombra, cobrirás
a noite de estrelas, diante da lua então enluarás.
Pelos olhos do vendaval na pétala avulsa que
circula minha alma e levanta meu corpo, tejo,
disposto a enfrentar o tempo; parado por aqui
mesmo. A esmo. . .
Dos réus que restaram, no acorde do trovão, e.
Na diversidade dispersa pela tua mão, raízes de
nehuma fruta. Somente caroços de alegria, e se
virar árvore será imensa. Fará sombra, cobrirás
a noite de estrelas, diante da lua então enluarás.
7/25/2007
ÃNIMA
Lancei pela noite escura um dardo de luz. Reluziu...
No clarão da iris só havia aquele faixo, labareda anil
na brisa vermelha do pudor. Esteve aos olhos secos
de uma coruja, entre as estrelas do firmamento; em
cima do céu, caído e insone na noite de vários becos
iguais, à espera da claridade vinda na alma de alguém.
Meu objeto inaugura a manhã - pedra matinal na flor
d'ágüa - iniciada numa lamparina ainda acesa, em um
reflexo orbital que circunda a córnea nua e é indolor
aos olhos da aurora recente. Entre todos e nenhum,
o punho escolheu a trajetória, arremeteu-se à frente
e alcançou o dia, azul, ensolarado, lindo e reluzente.
No clarão da iris só havia aquele faixo, labareda anil
na brisa vermelha do pudor. Esteve aos olhos secos
de uma coruja, entre as estrelas do firmamento; em
cima do céu, caído e insone na noite de vários becos
iguais, à espera da claridade vinda na alma de alguém.
Meu objeto inaugura a manhã - pedra matinal na flor
d'ágüa - iniciada numa lamparina ainda acesa, em um
reflexo orbital que circunda a córnea nua e é indolor
aos olhos da aurora recente. Entre todos e nenhum,
o punho escolheu a trajetória, arremeteu-se à frente
e alcançou o dia, azul, ensolarado, lindo e reluzente.
4/25/2007
PARA TI, ETERNAMENTE.
Tu segues na escuridão de um homem,
iluminando o caminho, que mostra céu
azul, árvore e beija a flor depois some.
Inaugurado dia na mão a amparar ao léo
o futuro deste tempo; esperança há em ti.
A claridade de tua palavra me iluminará.
Eu, que venho da noite no ser, eu escrevi
minha vida no chão, caminhei; sem chegar.
Até encontrar-te, a cada momento ...
iluminando o caminho, que mostra céu
azul, árvore e beija a flor depois some.
Inaugurado dia na mão a amparar ao léo
o futuro deste tempo; esperança há em ti.
A claridade de tua palavra me iluminará.
Eu, que venho da noite no ser, eu escrevi
minha vida no chão, caminhei; sem chegar.
Até encontrar-te, a cada momento ...
4/20/2007
VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
"A violênca contra mulheres é um fenômeno antiqüíssimo e considerado o CRIME encoberto mais praticado no mundo."
Conceituada como "qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexula ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada", a violência contra as mulheres é uma manifestação de relações de poder historicamente desiguais entre homens e mulheres que conduziram à dominação e à discriminação contra as mulheres pelos homens e impediram o pleno avanço das mesmas.
Na raiz de tudo está a maneira como a sociedade dá mais valor ao papel masculino, o que por sua vez se reflete na forma de educar os filhos, quando os papéis ensinados desde a infância
Conceituada como "qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexula ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada", a violência contra as mulheres é uma manifestação de relações de poder historicamente desiguais entre homens e mulheres que conduziram à dominação e à discriminação contra as mulheres pelos homens e impediram o pleno avanço das mesmas.
Na raiz de tudo está a maneira como a sociedade dá mais valor ao papel masculino, o que por sua vez se reflete na forma de educar os filhos, quando os papéis ensinados desde a infância
3/23/2007
Faça um pedido. Rápido!
Não é de cansar o céu com estrelas cadentes;
se vira bicho para mostrar-se mais humano;
entra na ágüa e soletra um peixe numa vogal
atônica, sussurrada por dentro do rio, e azul.
Foi criada no terreiro com os negros. É mãe;
foi pai; hoje é criança. Grávida, adolescente.
Dizem que pesca com os olhos da magia; ano
tardio na esperança vindoura. È cria d'outra
entidade; nasceu nua na noite que o quintal,
escuro, se iluminou sem saber. veio e zulmm.
Zuniu pela senzala entre criação e o homem.
Não há nesta localidade mão que dela apanhe
um grão de vida. Virou chão e ainda consome
a memória de quem a viu. Inteira ainda pouca
é a oportunidade que se dá. O repleto e o tudo
de estar no outro sendo si mesmo. Pela gente,
que a sentiu de perto, preto profundo veludo
é a noite que se faz de várias estrelas cadentes.
se vira bicho para mostrar-se mais humano;
entra na ágüa e soletra um peixe numa vogal
atônica, sussurrada por dentro do rio, e azul.
Foi criada no terreiro com os negros. É mãe;
foi pai; hoje é criança. Grávida, adolescente.
Dizem que pesca com os olhos da magia; ano
tardio na esperança vindoura. È cria d'outra
entidade; nasceu nua na noite que o quintal,
escuro, se iluminou sem saber. veio e zulmm.
Zuniu pela senzala entre criação e o homem.
Não há nesta localidade mão que dela apanhe
um grão de vida. Virou chão e ainda consome
a memória de quem a viu. Inteira ainda pouca
é a oportunidade que se dá. O repleto e o tudo
de estar no outro sendo si mesmo. Pela gente,
que a sentiu de perto, preto profundo veludo
é a noite que se faz de várias estrelas cadentes.
3/10/2007
Dia bucólico
Nesta mesma hora, ontem, aqueles insetos
entravam pelas janelas, trazidos no vento,
esvoaçados pela sala, sem direção, isentos
de luz, no escuro horário do dia, inquietos.
Debruçado no parapeito rupestre e frio da
manhã, coletando borboletas matinais, eu
recomponho o mundo na cor rubra do céu
que se reinicia, na roça, pela saia molhada,
a cachoeira que jorra na gente um rio; deu
para ver aquelas fadas, coloridas, e ao léo.
Atravessei a porta da cozinha para a copa.
O azulejo do chão, rachado pelo temo, frio,
está orvalhado, esta claridade sobre o pão
atravessado pela fome é a mesma que o cio
canino exala, é um gesto doméstico, troca;
No inseto que acorda, atordoado num chão
de tábua corrida que nos leva até ao quarto
onde adormeci ontem sob o som da chuva,
num tempo de sonhar, sóbrio e estupefato.
Neste instante em minhas mãos, nas luvas.
Desci pela escada dos fundos e o cão latiu.
O retireiro vinha devagar, a vida era lenta.
Tomei do leite, quente, ubre que inventa a
manhã naquele sabor. O gado então seguiu
a estrada até o pasto. Eu ainda era pequeno
quando a vida se resumia ma viver; sereno
que cai pela tarde da gente, eterna e pueril.
entravam pelas janelas, trazidos no vento,
esvoaçados pela sala, sem direção, isentos
de luz, no escuro horário do dia, inquietos.
Debruçado no parapeito rupestre e frio da
manhã, coletando borboletas matinais, eu
recomponho o mundo na cor rubra do céu
que se reinicia, na roça, pela saia molhada,
a cachoeira que jorra na gente um rio; deu
para ver aquelas fadas, coloridas, e ao léo.
Atravessei a porta da cozinha para a copa.
O azulejo do chão, rachado pelo temo, frio,
está orvalhado, esta claridade sobre o pão
atravessado pela fome é a mesma que o cio
canino exala, é um gesto doméstico, troca;
No inseto que acorda, atordoado num chão
de tábua corrida que nos leva até ao quarto
onde adormeci ontem sob o som da chuva,
num tempo de sonhar, sóbrio e estupefato.
Neste instante em minhas mãos, nas luvas.
Desci pela escada dos fundos e o cão latiu.
O retireiro vinha devagar, a vida era lenta.
Tomei do leite, quente, ubre que inventa a
manhã naquele sabor. O gado então seguiu
a estrada até o pasto. Eu ainda era pequeno
quando a vida se resumia ma viver; sereno
que cai pela tarde da gente, eterna e pueril.
3/02/2007
E agora João Hélio
E agora joão?
A vida acabou,
a luz apagou,
o povo se reuniu,
se indignou,
e agora João?
e agora você?
você que é sem nome,
que se preocupa,
você que sofreu,
que ama, protesta?
e agora, João?
E agora, João?
sua doce palavra,
seu sorriso pueril,
seu abraço já não há.
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você está vivo, João!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sen leito para dormir,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
a Humanidade marcha, João!
João, para onde?
Dedicado à reflexão de todos nós. Poema inspirado na obra de Carlos Drummond, José.
A vida acabou,
a luz apagou,
o povo se reuniu,
se indignou,
e agora João?
e agora você?
você que é sem nome,
que se preocupa,
você que sofreu,
que ama, protesta?
e agora, João?
E agora, João?
sua doce palavra,
seu sorriso pueril,
seu abraço já não há.
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você está vivo, João!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sen leito para dormir,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
a Humanidade marcha, João!
João, para onde?
Dedicado à reflexão de todos nós. Poema inspirado na obra de Carlos Drummond, José.
2/02/2007
O carro-de-boi passa pela porteira.
Dentro de minha infância nos carros
puxados por bois, cujo som metálico
me acorda nesta manhã. A derradeira
canção de ninar, o sumo deste licor
que bebo lembrando Manoel de Barros
descrevendo na chuva o adeus d´ágüa
que inundou um casulo rubro no chão
batido à mão, ao lado da cama dorme
um coleóptero recém-nascido.Afaga-a
no início deste dia. Dá-me um beijo
por ser matinal o meu Amor-multidão
neste curral bucólico, neste desejo
de ser criança, com o futuro enorme
em cima deste carro-de-boi, em mim.
Dentro de minha infância nos carros
puxados por bois, cujo som metálico
me acorda nesta manhã. A derradeira
canção de ninar, o sumo deste licor
que bebo lembrando Manoel de Barros
descrevendo na chuva o adeus d´ágüa
que inundou um casulo rubro no chão
batido à mão, ao lado da cama dorme
um coleóptero recém-nascido.Afaga-a
no início deste dia. Dá-me um beijo
por ser matinal o meu Amor-multidão
neste curral bucólico, neste desejo
de ser criança, com o futuro enorme
em cima deste carro-de-boi, em mim.
1/04/2007
FRUTA EM SI
Zuniu pela noite de uma jaboticaba,
levando estrelas para povoar o céu.
Pouca é a luz deste escuro doce, a
casca absurda do infinito, e íntimo
com as asas dum inseto cair ao leo,
na carne líqüida deste Mundo. Sinos
dobram por ele, na manhã que entra,
quando rompida noite, aberta casca.
levando estrelas para povoar o céu.
Pouca é a luz deste escuro doce, a
casca absurda do infinito, e íntimo
com as asas dum inseto cair ao leo,
na carne líqüida deste Mundo. Sinos
dobram por ele, na manhã que entra,
quando rompida noite, aberta casca.
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